Publicado por: Lucival França | janeiro 12, 2007

Os desafios do jornalista que cobre cultura

O jornalismo cultural é provavelmente a área de atuação da profissão que exige a maior quantidade de esforço e dedicação do jornalista. Afinal essa vertente se propõe a cumprir a tarefa de cobrir, analisar e relatar os principais expoentes da produção cultural do gênero humano, em áreas tão diversas quanto dança, artes plásticas, teatro, música ou cinema e em regiões que vão desde o sertão nordestino até as estepes russas.

Com o advento da Internet, os veículos ou seções de veículos impressos destinados a cobrir a cultura tiveram que mudar seu foco de atuação e tornar as matérias mais analíticas e reflexivas e menos factuais. O leitor pode fácil e imediatamente se informar via Internet sobre eventos disponíveis ou a produção de inúmeros artistas. Assim ele irá buscar em publicações especializadas uma opinião aprofundada, reflexiva, para que possa balizar seu próprio julgamento.

Não importa mais, tanto quanto antes, ser o primeiro a dar a notícia, mas o quanto aprofundada e analisada esta notícia chega ao leitor moderno. A Bravo!, principal revista de cultura do País, está em circulação há nove anos e já ultrapassou a marca de 100 edições. Seu editor, Ricardo Lombardi, concorda com essa necessidade de produzir um conteúdo mais aprofundado e acrescenta que sua revista, “além de informar, procura ‘formar’ o leitor disposto a conhecer um assunto que não estava em seu domínio. O jornalismo cultural tem, sim, um papel educacional”.

Para realizar esse tipo de cobertura num campo tão vasto e mutante quanto a produção artística humana, recai sobre o repórter a obrigação de se manter informado e se reciclar constantemente. Por isso, é seu dever buscar informações e referências novas em publicações especializadas, na Internet e onde mais puder encontrá-las, além de manter contato com curadores e artistas de vanguarda. Tudo em busca de novas tendências e produções que considere relevante para seus leitores. Aqui cabe ao profissional manter a distinção entre suas preferências pessoais e as obras que realmente merecem a atenção de seu veículo.

Para os focas (que é o caso desse humilde estudante apreciador das criações artísticas humanas), Lombari dá a receita: “Aqui não há segredo. O bom jornalista cultural deve ser um consumidor voraz de cultura, em todas as áreas. Se esse jornalista, por interesse pessoal, quiser se especializar em uma área, estudar um tema mais profundamente, é um ótimo caminho. Mas uma visão generalista também é recomendada, já que hoje em dia não existem mais barreiras entre as artes”

O tal do Jabaculê

O jornalismo cultural é a área na qual as pressões mercadológicas mais se aproximam do profissional nas redações. Grandes gravadoras, artistas famosos, editoras e grupos diversos têm o interesse de ver seu produto recebendo uma crítica favorável ou uma análise aprofundada de algum jornalista respeitável. Receber o material a ser analisado, junto com algum eventual presente, como os ipod´s de Maria Rita, é algo habitual no ramo. A maioria dos jornalistas recusa tais regalos. Outros não.

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