Publicado por: Lucival França | janeiro 28, 2008

Ah, São Longuinho!

        Quando finalmente chegou ao encontro se deu conta de que havia esquecido o casaco no taxi. Mas foi um dia estressante. E um início de noite bastante tumultuado.  O colega de trabalho faltou, pois ficara doente. O estagiário teve de ausentar-se por algumas horas. Ficou sozinha praticamente a tarde inteira. Ela e os telefones que não paravam de tocar. Todos queriam saber se havia alguma novidade a ser contada.  Para não dar respostas incompletas, ela que gosta de tudo certinho, descia e subia lances e mais lances de escada em busca das informações mais atualizadas. Às 19h estava exausta.

        Era a terceira vez em menos de dois meses que marcava um cineminha com a amiga, mas sempre acontecia um imprevisto na última hora e ela desistia. Reza a equação que, um é bom, dois é bom, porém três é demais. Talvez por isso, dessa vez, ela estivesse tão decidida a ir ao encontro. Precisava, apenas, passar em casa e pegar uma agasalho,caso contrário, sairia congelada da sala de projeção        

        Ela e o marido trabalham próximos (já chegaram a trabalhar juntos) e por isso adotaram uma estratégia para usar o carro. Ele a leva ao trabalho. Na volta, pelo fato de ela sair sempre mais tarde, ele deixa o carro no estacionamento, toma um ônibus e vai para casa. Nesse dia ele não deixou o carro, como era de costume, a pegaria. Quando ligou avisando que ele poderia buscá-la, percebeu que a voz do outro lado estava apreensiva:        

        – Perdi a carteira com os documentos do carro, disse ele.        

        – Mas você ainda está em casa? Eu já estou atrasada, reclamou ela.         

        Um minuto de silêncio. Cada um com seu problema. Chateado, foi buscá-la. Ao chegarem a casa, procuraram a documentação por todos os cantos. Nada, mas ele tinha a ligeira impressão de que deixara a carteira na gaveta da mesa do trabalho. Pensaram em apelar para São Longuinho, dando os pulinhos, para que recebessem ajuda extra na procura. Enquanto isso, ela procurava o casaco em meio ao dilema: Iria mesmo ao encontro com o carro ou desistiria mais uma vez? Depois de algum tempo, decidiram que ele voltaria ao trabalho à procura da carteira e ela seguiria de taxi ao encontro com a amiga. Quando fincou o pé no templo do consumo, decidiu ligar para o marido com o objetivo de saber como as coisas estavam. De fato, a carteira estava no trabalho. Ela seguiu aliviada. Dois minutos se passaram e a apreensão agora vinha da parte dela:       

        – Deixei o casaco no taxi, falou decepcionada.       

        De nada adiantou ter ido em casa porque, dessa vez, iria assistir ao filme desabrigada na sala que mais parece uma câmara de frios daquelas que armazenam carne nos grandes supermercados. 

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